QUEM SOMOS?

Quem Somos ?

Somos uma comunidade que exala o bom perfume de Cristo, proclamando o evangelho da salvação, capacitando vidas, servindo uns aos outros em amor, assim glorificamos a Deus.

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Domingos 9h EBD, 18h e 30mim Culto de Louvor e adoração. Terça Feira às 19h e 30mim Reunião da MCA.Quarta Feira às 19h e 30 mim Culto de oração. Sábado 19h e 30mim Reunião dos Jovens.

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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Jesus mora em seu lar?

>Certo dia um ministro do evangelho dirigia seu automóvel quando passou pela residência de uma família abastada, que pertencia a uma das igrejas da cidade. Parecia uma residência ideal, co o seu ar de prosperidade e de ordem. Ocorreu –lhe uma idéia de que , apesar de bela aparência , talvez faltasse aquela lar o que é essencial à verdadeira paz e prosperidade. Estacionou o carro, o pastor dirigiu-se a porta da casa. Bateu e uma senhora atendeu. O ministro sem rodeios perguntou: senhora, Jesus Cristo mora aqui?a dona da casa atônita nada respondeu. O pastor perguntou novamente:Senhora, Jesus Cristo mora aqui? Sem resposta retirou-se. A esposa correu para contar o incidente ao marido que trabalhava no quintal. E o pastor perguntou se Jesus cristo Mora aqui. O esposo respondeu: Porque você não disse que sempre contribuímos com a igreja e nas campanhas. Mas a mulher lhe respondeu mas não foi isto que ele perguntou. Ele perguntou se Jesus Cristo mora aqui? O esposo também ficou sem resposta. E você ? Jesus Cristo mora em sua casa?
Pare e pense um pouco. Jesus cristo mora na sua casa? Ele esta presente em sua vida? Seu lar é de fato abençoado? Você se sente realizado com Jesus ou está precisando de alguma coisa a mais para ser feliz? Se sua resposta for não é hora de se entregar sua vida por inteira a Jesus. Jesus te ama e quer abençoar tua vida. Aceite-o hoje a ele com seu senhor e salvador e sua vida será abençoada.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A grande prova de amor

Uma das coisas que o ser humano gosta é, a alegria de se sentir amado, e quando isto não acontece, ficamos decepcionados, bate uma tristeza enorme e o amor não correspondido gera logo depressão. Muitas vezes pedimos prova de amor para as pessoas, muitos se esforçam em tentar provar com grandes sacrifícios. Sacrifício é como se prova o tamanho do amor que sentimos por alguém.
Foi através de sacrifício que Deus provou o seu amor pela humanidade, sem que esta pedisse nenhuma prova. Também ela não podia pedir, porque o pecado impede qualquer pessoa ter intimidade com Deus para pedir-lhe algo .Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Rm 3:23. para ocorrer este relacionamento teria que acontecer uma reconciliação é aqui onde está a maior prova de amor, a doação da vida por alguém que anda errado, sem Deus, sem amor longe de Deus vivendo na impiedade. Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.(Rm. 5:8) esta prova de amor foi sem limites, que não olhou apenas para o seu eu e sim pelo próximo, amor sem reserva, amor através de sacrificio. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens. E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Jesus morreu por nossos pecados esta é a maior prova de amor que já existiu em toda historia da humanidade.
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Jo. 3:16
Para desfrutar de tão grande amor e ser abençoado por Deus com a vida eterna, o momento é este, e o que você precisa fazer são apenas duas coisas simples, Crer e Confessar o Senhor Jesus como Único Senhor e Salvador da tua vida. A bíblia afirma.A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação (Rm. 10:9-10)
Que o Senhor Jesus lhe mostre o caminho para o verdadeiro amor, e que através de sua fé em Jesus você desfrute da bênção da vida eterna que começa aqui e agora só depende de você. Crer no Senhor Jesus tu e a tua casa será salva.
No amor de Cristo
Pr. Orlando Gomes

sábado, 8 de maio de 2010

Venha Participar dos Nossos Cultos.

4ª. Feira. Culto de Oração

Domingo 9hora Culto de EBD

Domingo 19h e 30mim Culto de louvor e Adoração

quarta-feira, 10 de março de 2010

Uma triste confissão

Sermão 3530 - Vol 62
Pregado Por Charles Haddon Spurgeon - Publicado em 1916

... e dele não fizemos caso (Is 53.3)
Para alguns de nos não será fácil recordar a primeira vez em que ouvimos o nome de Jesus. Na tenra infância esse doce som era-nos tão familiar aos ouvidos quanto suaves as canções de ninar. Nossas recordações mais remotas associam-se à casa de Deus, ao altar da família, à Bíblia Sagrada, aos hinos sacros e à oração fervorosa. Como pequenos Samuéis, éramos iluminados em nosso repouso pelas lâmpadas do santuário e despertados pelo som de um hino matinal. Muitas vezes um homem de Deus, recebido pela hospitalidade dos nossos pais, implorou uma bênção sobre nossas cabeças, desejando com toda sinceridade que pudéssemos cedo chamar o Redentor de bendito; e a essa petição ouvia-se um ardente "amém" de uma mãe. A nós pertencia uma feliz porção e uma herança boa; mesmo assim, "nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe", e esses privilégios não foram suficientes para nos dar o amor Jesus e o perdão pelo seu sangue.
Freqüentemente somos levados a lamentar por pecados agravados pela luz clara como a do meio-dia — ordenanças subestimadas por sua própria freqüência — avisos desprezados, embora acompanhados de lágrimas paternais, e aversões sentidas no coração, se não expressas pelos lábios, para com as ricas bênçãos celestiais. Somos testemunhas, em pessoa, do fato de haver uma depravação inata, a praga de nascença deixada ao homem; e po demos testificar a doutrina de que a graça, e tão somente ela, pode mudar o coração. São nossas as palavras de Isaías com ênfase, apesar das influências santificadas que nos cercam; ao proferirmos a confissão: "...e dele não fizemos caso", os esconderijos de nossa infância, as companhias de nossa juventude e os pecados de nossa vida adulta unanimemente confirmam que falamos a verdade.
Iniciando, pois, com nossa própria experiência, somos levados a deduzir que aqueles a quem foram negadas nossas van tagens certamente serão compelidos a adotar a mesma linguagem humilde. Se o filho de pais consagrados, que pelo poder divino foi levado a conhecer o Senhor na juventude, se sente constrangido a reconhecer que houve um tempo em que não fez caso do Salva dor, será que o homem que teve uma educação irreligiosa, uma infância tumultuada, uma juventude permissiva e uma maturidade criminosa poderá adotar uma linguagem menos humilhante? Não; acreditamos que todo homem nessas condições, que agora se encontra redimido das mãos do inimigo, reconhece prontamente que outrora negligenciou cegamente as belezas do nosso glorioso Emanuel. E mais: nos aventuramos a desafiar a "igreja do primogênito" a apresentar um único santo que não tenha passadodiante da cruz com indiferença, ou até com desdém.
Não importa se revistamos o "nobre exército de mártires", "a devota comunhão dos profetas", "o glorioso grupo dos apóstolos", ou "a santa igreja espalhada pelo mundo", não descobriremos sequer um amante do adorável Redentor que não participe da confissão coletiva: "...e dele não fizemos caso."
A você eu peço que faça uma pausa para se perguntar se você faz caso dele agora; pois pode suceder que até o presente você não tenha visto nele "nenhuma beleza que o agradasse", ou não tenha tomado para si a exclamação da esposa: "Sim, ele é totalmente desejável." Se você se encontra neste estado infeliz, uma meditação sobre isso, sob a influência do Espírito Santo, será de grande valia; e rogo-lhe que, enquanto revelamos os segredos do que outrora era nossa prisão, você anseie intensamente a libertação da escravidão que o priva de viver alegremente aqui e o afasta da felicidade no futuro.

Primeiramente, proponho que nos esforcemos por tra zer vividamente diante de nossos olhos o fato de termos outrora feito pouco caso da pessoa de Jesus; em segundo lugar, veremos as causas dessa insensatez; e em terceiro, tentaremos despertar emoções próprias a essa contemplação contrita.
I. Vamos à casa do oleiro ver como éramos antes barro sem forma; lembremo-nos da "rocha de que fomos cortados" e da "caverna do poço de que fomos cavados", para repetirmos com profundo pesar as palavras do profeta: "... e dele não fizemos caso." Examinemos seriamente o diário da memória, pois nele estão fielmente registrados os nomes das testemunhas da nossa culpa.
Façamos uma pausa para considerar primeiro nossos atos pecaminosos visíveis, pois são como imensas voçorocas margeando a montanha da vida, comprovando a existência da rocha por baixo.
Poucos homens se arriscariam a ler sua própria biogra fia, se todos os seus feitos estivessem ali registrados. Poucos po dem olhar seu passado sem corar de vergonha. "Todos pecamos e carecemos da glória de Deus." Nenhum de nós pode alegar per feição. E verdade que, muitas vezes, uma descuidada auto-complacência nos faz exultar na virtude das nossas vidas, mas assim que a fiel memória desperta, instantaneamente ela dissipa essa ilusão! A memória agita sua varinha mágica e centenas de sapos surgem no palácio do rei; os rios límpidos tornam-se em sangue ao seu olhar; toda a terra fervilha de coisas nojentas. Onde imagi návamos pureza, surge a imperfeição. A grinalda de neve da satis­fação derrete diante do sol da verdade; a tigela açucarada dos aplausos torna-se amarga com lembranças tristes; sob a lupa da honestidade, as deformidades e irregularidades de uma vida apa rentemente correta tornam-se desgraçadamente visíveis.
Deixemos que o cristão cujos cabelos estão branqueados pela luz do céu conte a história da sua vida. Ele pode ter sido uma das pessoas mais corretas e moralistas, mas haverá uma mancha escura em sua história, pela qual ele derramará lágrimas de arre pendimento, pois naquela época ele não conhecia o temor do Senhor. Ou chamemos um heróico guerreiro de Jesus para relatar seus feitos; até ele também apresentará cicatrizes profundas, se qüelas dos ferimentos recebidos a serviço do Inimigo. Alguns entre os escolhidos, antes de sua regeneração, eram notórios pela culpa e poderiam escrever com Bunyan (em Grace abounding [Graça abundante]): "A minha vida natural, no tempo em que eu estava sem Deus no mundo, em verdade era segundo o curso deste mundo e o espírito que agora atua nos filhos da desobediên cia. Era meu prazer estar cativo nos laços de Satanás, cheio de injustiça, que operava tão intensamente, tanto em meu coração quanto em minha vida, que havia poucos que amaldiçoavam, pra­guejavam, mentiam e blasfemavam contra o santo nome de Deus tão bem como eu." E suficiente, porém, dizer que cada um de nós cometeu pecados que provam que "dele não fizemos caso".
Será que teríamos nos rebelado contra o Pai com tanta ousadia, se o seu Filho fosse o objeto do nosso amor? Será que teríamos passado por cima dos mandamentos de um Jesus vene rado? Seríamos capazes de desrespeitar sua autoridade se nossos corações estivessem ligados à sua adorável pessoa? Teríamos pe cado tão terrivelmente se o Calvário nos fosse precioso? Não, sem dúvida nossas nuvens de transgressões testificam nossa anterior falta de amor por ele. Se fizéssemos caso do Deus-Homem, será que teríamos negligenciado tão completamente suas reivindica ções? Esquecido totalmente suas palavras amáveis de comando? Será possível insultar a quem se admira; trair um rei amado; des respeitar a quem se estima ou zombar intencionalmente de quem se venera? Todavia, fizemos tudo isso e mais um pouco; pelo que a menor palavra de lisonja alegando amor natural por Cristo fica evidente aos nossos corações, agora honestos, como sendo tão odiosa quanto o silvo da serpente. Essas iniqüidades não constitui riam uma prova tão séria de que desprezamos nosso Senhor, caso fossem seguidas de pequenos serviços para ele. Mesmo agora, quando amamos seu nome, muitas vezes somos infiéis, só queagora nossa afeição nos ajuda a "nos arrastarmos em serviço para onde não podemos andar". Antes, porém, entre nossos atos pas sados não havia nenhum que fosse temperado com o sal do amor sincero; eram todos embebidos no fel da amargura. Ó amado, não nos esquivemos do peso dessa evidência, mas reconheçamos que nosso gracioso Senhor tem muito de que nos acusar, já que esco lhemos obedecer a Satanás em vez de ao Capitão da salvação e preferimos o pecado à santidade.
Deixemos o fariseu presunçoso gabar-se por ter nascido livre — nós vemos em nossos pulsos as marcas vermelhas dos ferros; que ele se glorie nunca ter sido cego — nossos olhos ainda conseguem lembrar a escuridão do Egito, em que não conseguíamos ver a estrela da manhã. Outros podem almejar a honra de uma salvação merecida — nós sabemos que nossa maior ambição pode ser apenas desejar o perdão e a aceitação tão-somente pela graça; lembramos bem o tempo em que o único canal da graça foi desprezado ou negligenciado por nós.
O Livro da Verdade ainda tem mais para testemunhar contra nós. Ainda não se apagou da memória a época em que não bebíamos desta sagrada fonte de água viva, nossos vis corações tinham colocado uma pedra sobre a boca do poço que nem a consciência podia remover. A poeira acumulada na Bíblia sujava os dedos; o abençoado volume era o menos procurado de todos os livros da biblioteca.
Embora hoje possamos dizer que a Palavra de Deus é "um templo incomparável onde temos prazer em estar, para con templar a beleza, a simetria e a magnificência da estrutura, para aumentar nossa reverência e estimular nossa adoração à Divinda de ali pregada e venerada" (Boyle), houve um período triste em nossas vidas em que recusamos pisar o chão precioso do templo, ou quando apenas por costume entrávamos nele, com passos apressados, inconscientes de sua santidade, desapercebidos de sua beleza, ignorantes de suas glórias e não reverentes à sua majestade.
Agora podemos apreciar a afeição em êxtase de Herbert expressa em seu poema:
O livro infinitamente doce! Que eu coma cada letra, como mel; E bom para curar que quer que fosse, Aliviar a dor, tirar o fel.

Naquele tempo um poema efêmero ou romance fútil podia comover nossos corações milhares de vezes mais facilmente do que este "livro de estrelas", este "deus dos livros". Ah, essa Bíblia negligenciada prova muito bem que estimamos Cristo muito pouco. Na verdade, se estivéssemos cheios de afeto por ele, teríamos procurado por ele em sua Palavra. Nela, ele se despe, mostrando íntimo de seu coração. Nela, cada página está manchada com gotas do seu sangue ou ornada com raios da sua glória. A cada momento o vemos, divino e humano, morrendo e mesmo assim vivo, sepultado e agora ressurreto, Vítima e Sacerdote, Príncipe e Salvador, e todos esses diferentes papéis, relações e condições o tornam valioso para seu povo e precioso para seus santos. Ah, ajoelhemo-nos diante do Senhor e reconheçamos que"dele não fizemos caso", ou teríamos andado com ele nos campos das Escrituras e tido comunhão com ele nos canteiros da inspiração.

O Trono da Graça, que por tanto tempo não visitamos, igualmente proclama nossa culpa anterior. Raramente nossas sú plicas eram ouvidas no céu; nossas petições eram formais e sem vida e morriam nos lábios desatentos que as pronunciavam. Ah, que crime quando não nos consagrávamos à adoração, o incensário do louvor não levava um aroma aceitável ao Senhor, nem os frascos da oração exalavam um perfume precioso!
Sem serem branqueados pela devoção, os dias do calendário ficavam sujos pelo pecado; não sendo impedido por nossas súplicas, o anjo do julgamento acelerava sua vinda para a nossa destruição. A lembrança daqueles dias de silêncio pecaminoso nossas mentes humilham-se no pó; não podemos nos achegar ao trono de misericórdia sem adorar a graça que recebe com boas-vindas aqueles que o desprezaram.
Todavia, por que "nosso coração não esteve em peregrinação"? Por que não cantamos a "melodia que todos ouvem e temem"? Por que não nos alimentamos do "banquete da igreja", do "maná precioso"? Que resposta podemos dar mais completa e plena do que esta: "dele não fizemos caso"? Nossa pouca consideração de Jesus afastou-nos de seu trono. A afeição verdadeira teria conseguido o pronto acesso que a oração dá ao aposento secreto de Jesus recebendo abundância de amor. Podemos abandonar agora o trono? Não; nossos momentos mais felizes são quando nos ajoelhamos, pois assim é que Jesus se manifesta a nós. Apreciamos a companhia deste que é o melhor amigo, pois sua presença divina "traz tal beleza interior para a casa onde ele habita, que os palácios mais suntuosos invejam seu esplendor". Com prazer procuramos o lugar secreto, pois ali nosso Salvador nos permite desabafar nossas alegrias e tristezas, passando-as para ele.

Ó, Cordeiro de Deus! Nossa negligência na oração nos leva a confessar que houve um tempo em que não víamos em ti aparência nem formosura.
Ademais, o fato de evitarmos o povo de Deus, confirma a verdade humilhante. Nós que agora fazemos parte do "exército sagrado dos eleitos de Deus, nos alegrando na amizade dos justos, éramos outrora "estrangeiros e peregrinos". A língua de Canaã era aos nossos ouvidos um gaguejar sem significado, do qual escarnecíamos, uma gíria grosseira que não tentávamos imitar, ou uma "língua estranha" além da nossa capacidade de interpreta ção. Os herdeiros da vida eram ou desprezados por nós como "objetos de barro, obra das mãos de oleiro", ou nos retirávamos da companhia deles cientes de que não éramos companheiros dignos dos "nobres filhos de Sião, comparáveis a ouro puro." Muitas vezes olhamos cansados para o relógio quando, em companhia de alguém, o tema era espiritual demais para nossa compreensão fraca; tantas vezes preferimos a amizade de mundanos risonhos à de crentes mais sérios.
Será preciso indagar qual a origem desta antipatia? O rio amargo não se compara ao rio do Egito, silencioso quanto à sua nascente: ele proclama sua origem abertamente, e o ouvido da auto-preferência não pode ser surdo à voz da verdade — "Não amastes os servos, porque não fizestes caso de seu mestre; nem convivestes entre os irmãos, pois não estabelecestes amizade com o primogênito da família."
Uma das evidências mais claras da alienação de Deus é a falta de vínculo com seu povo. Num grau maior ou menor cada um de nós já passou por isso. E verdade que há certos cristãos com quem gostávamos de estar; contudo, havemos de convir que esse prazer em sua companhia devia-se mais à amabilidade de suas maneiras ou ao estilo cativante de falarem, do que à sua exce lência intrínseca. Avaliamos a jóia pelo seu engaste, mas um seixo comum no mesmo anel teria igualmente nos chamado à atenção. Os santos, como santos, não eram nossos amigos diletos, nem podíamos dizer: "Sou amigo de todos os que temem a Deus."

Tais sentimentos são produto da mais elevada estima peloRedentor, e sua ausência anterior constitui uma prova conclusiva de que nesse tempo "dele não fizemos caso". Não temos mais necessidade de ajuda nesta auto-condenação.

Domingos profanados partem como guerreiros de um clã selvagem da mata fechada do tempo desperdiçado; eles investem contra osantuário deserto, ameaçando-o com uma vingança ter rível, se o escudo de Jesus não nos protegesse; as cordas de seus arcos são ordenanças negligenciadas, e suas flechas são mensagens de misericórdia desprezadas.
Todavia, para que esses acusadores? A consciência, guarda da alma, já viu o suficiente. Ela afirmará que viu nossos ouvidos fechados para a voz convidativa do amigo dos pecadores; e que por diversas vezes desviamos os olhos da cruz, quando Jesus estava bem visível.
II. Iniciaremos agora um exame das causas ocultas deste pecado. Uma vez curada a doença, pode ser útil saber sua origem, para servir a outros e beneficiar a si mesmo.
Nossa frieza em relação ao Salvador resultou primeiramente do mal natural de nossos corações. Podemos discernir claramente por que o dissoluto e o perverso têm pouco apreço por pureza e excelência: a mesma razão pode ser dada do nosso desprezo pela encarnação da virtude na pessoa de nosso Senhor Jesus. O pecado é loucura que desqualifica a mente para o julgamento sóbrio, cegueira que torna a alma incapaz de apreciar a beleza moral; é de fato uma perversão de todas as capacidades em tal escala que, sob sua terrível influência, os homens "ao mal chamam bem e ao bem, mal; fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce por amargo." Para nós, em nossa condição caída, demônios muitas vezes parecem ser mais justos do que anjos; confundimos os portões do inferno com os portais da glória e preferimos as mentiras camufladas de Satanás às verdades eternas do Altíssimo. Vingança, luxúria, ambição, orgulho e vontade-própria são mui freqüentemente exaltados como os deuses da idolatria dos homens, enquanto san tidade, paz, contentamento e humildade são vistos como indignos de uma consideração mais séria. Ah, pecado, o que foi que fizeste! ou melhor, o que desfizeste! Não te contentaste em roubar à humanidade a coroa, desviá-la de seu reino feliz, estragar suas vestes reais e saquear seu tesouro; tens feito muito mais do que isto! Não basta degradar e desonrar; feres tuas vítimas, cegas-lhes os olhos, fechas seus ouvidos, confundes seu julgamento e amordaças sua consciência; sim, o veneno de tua flecha malévola contamina a fonte com morte. Tua malícia penetrou o coração da humanidade e, por conseguinte, encheu suas artérias com corrupção e seus ossos com depravação. Sim, monstro, te tornaste um assassino, pois nos deixaste mortos em transgressões e pecados!
Este último termo desvenda todo o mistério, pois se estamos espiritualmente mortos, naturalmente é impossível conhecer e reverenciar o Príncipe da glória. Acaso um morto pode ser levado ao êxtase ou pode seu corpo ser motivado a contemplação sublime? Tente estimular um corpo sem vida, enquanto ele ainda não virou banquete para os vermes e a moldura ainda está completa, embora sem vida. Traga para perto dele o alaúde e a harpa, deixe que melodias suaves e harmonias lindas tentem induzir esse homem ao prazer: ele não vai sorrir com a melodia harmoniosa, nem se comoverá com a cadência melancólica; sim, ainda que a orquestra do redentor extravasasse com fulgor sua música, ele se manteria surdo ao encanto celestial.
Você quer assaltar a cidade por outro portão? Então, coloque perante os olhos desse ser as mais lindas flores colhidas desde que as plantas do Éden foram criadas. Será que ele atentará para a delicadeza da rosa ou a brancura do lírio? Não, esse homem não reconhece a ternura delas mais do que as águas do Nilo percebem a flor-de-lótus que sustenta em seu leito. Venham, ainda, as tâmaras da Arábia e os ventos impregnados de odores aromáticos do Ceilão, e que o incenso de substâncias fragrantes, de o olíbano e mirra, exale diante dele; eis que suas narinas permanecem tão imóveis quanto uma estátua, e seus lábios não manifestam nenhum prazer. Sim, você pode trazer auxílios mais poderosos, como o estrondo de uma avalanche, o bramido de cataratas, a fúria do oceano, o uivo dos ventos, o ribombar de um terremoto e o rebôo de um trovão: ainda que todos esses sons unidos de uma só vez ressoassem, não levantariam o dormente de seu diva fatal. Está morto, e este fato desvenda todo o mistério. Assim tambémnós, agora avivados pelo Espírito Santo, estivemos um dia mortos no pecado e "dele não fizemos caso". Eis aí a raiz de todos os nossos delitos, a origem de toda a nossa iniqüidade.
As causas secundárias da loucura que cometemos estão logo abaixo da superfície e requerem apenas um momento de observação. O amor próprio contribuiu em muito para que maltratássemos o "amigo dos pecadores". A presunção com nossos méritos próprios fez-nos indiferentes às reivindicações daquele que buscava para nós uma justiça perfeita. "Os sãos não precisam de médico": nos sentíamos insultados pela linguagem de um evangelho que nos falava como se fôssemos seres indignos. A cruz pode exercer pouco poder onde o orgulho oculta a necessidade de perdão; um sacrifício é pouco valorizado quando não estamos conscientes de que precisamos dele. Em nossa opinião, éramos as criaturas mais nobres; a oração do fariseu poderia sinceramente provir de nós. Ganhamos algumas ninharias aqui e ali desonestamente mas, no geral, pensávamos que estávamos nos tornando "ricos e abastados"; e mesmo quando sob a poderosa voz da lei éramos defrontados com nossa pobreza, ainda esperávamos, através da obediência futura, reverter a sentença, e estávamos totalmenterelutantes em aceitar a salvação que exigia uma renúncia de todos os méritos e uma confiança simples no Redentor crucificado. Jamais deixaríamos a nossa lida nem abandonaríamos a "teia de aranha" do esforço próprio, até que todo o trabalho nos fosse tirado das mãos e nossos dedos se tornassem incapazes; somente então nos vestiríamos com a justificação pela graça. Ninguém pode pensar muito de Cristo até que pense pouco de si mesmo. Quanto mais baixa for a visão de nós mesmos, tanto mais elevados serão os pensamentos sobre Jesus; somente quando o aniquilamento próprio for completo, o Filho de Deus poderá ser "tudo em to dos".

A vangloria e o amor-próprio são férteis progenitores do mal. Crisóstomo chama o amor-próprio de uma das três grandes armadilhas do maligno; e Bernardo o denomina "uma flecha que perfura a alma e a mata; um inimigo insensível e astuto, não percebido". Sob a má influência deste poder nós comumente amamos mais quem nos causa mais danos, pois o adulador que ali menta nossa vaidade com clamores agradáveis de "paz, paz", é muito mais considerado do que o bendito Jesus, que com seriedade nos adverte de nosso estado doentio. Mas, quando a autoconfiança é retirada — quando a alma é despida pela convicção de pecado, quando a luz do espírito revela o estado repugnante do coração, quando o poder da criatura fracassa, quão precioso é Jesus! Como o marujo prestes a naufragar agarra-se à tábua flutuante, o moribundo olha para o médico, e o criminoso valoriza a clemência — assim estimamos o libertador das nossas almas como Príncipe dos reis da terra. A repugnância de si mesmo proporciona uma paixão ardente pelo "amante de nossas almas" cheio de graça; a auto-complacência esconde de nós sua glória.

O amor ao mundo também tem sua participação no mau uso deste querido amigo. Quando ele bateu na porta, nós lhe recusamos a entrada porque outro já havia entrado. Já tínhamos escolhido outro esposo a quem basicamente entregamos o coração. "Dá-me riquezas", diz alguém. Jesus responde: "Eis-me aqui; eu sou melhor que as riquezas do Egito, e vale mais a pena passar vergonha por mim do que desejar tesouros escondidos." Mas o outro replica: "Tu não és a riqueza que procuro; não busco uma riqueza assim sem substância, ó Jesus! Não me importa uma riqueza para o futuro — desejo uma riqueza para o presente; quero um tesouro em que posso pôr a mão agora; quero ouro para comprar uma casa, uma fazenda, bens; anseio por jóias brilhantes que adornem meus dedos; não te peço aquilo que está por vir; pensarei nisto depois que os anos passarem."

Um outro de nós suplica: "Eu peço por saúde, pois estou doente." O melhor dos médicos aparece e gentilmente promete: "Vou curar a sua alma, tirarei a lepra e o tornarei são." "Não, não", respondemos, "não foi isso o que pedi, ó Jesus! Peço um corpo forte, para que eu possa correr como Asael ou lutar como Hércules; quero me livrar da dor física, mas não te peço saúde espiritual, porque não é isso que quero." Um terceiro implora por felicidade. "Ouve-me", disse Jesus, "meus caminhos são agradáveis e minhas veredas, tranqüilas." "Não é essa alegria que procuro", replicamos precipitadamente. "Quero um cálice transbordante, para saboreá-lo deliciosamente; tenho paixão por noitadas fes tivas e dias alegres; quero danças, festanças e outros prazeres co muns deste mundo; reserve o seu porvir para os fanáticos — que eles vivam de esperança; eu prefiro este mundo e o presente."
Assim cada um de nós, a seu modo, dirigiu seu amor para coisas terrenas e desprezou as do alto. Certamente não foi um pintor malvado que rascunhou nossas vidas com seu lápis de desenho: "O intérprete levou-os novamente, e os colocou numa sala onde havia um homem que não podia olhar para outro lado senão para baixo e segurava na mão um escovão; acima dele ha via outro com uma coroa celestial na mão; este lhe ofereceu a coroa em troca do escovão; o homem, porém, sem olhar para cima nem prestar a menor atenção, varreu para junto de si a palhae o pó
Enquanto amamos o mundo, "o amor do Pai não está em nós," nem o do Filho Jesus. Não se pode servir a dois senho res. O mundo e Jesus jamais estarão de acordo. Precisamos poder cantar a primeira parte da estrofe de Madame Guion, antes de podermos concordar com sinceridade com a segunda:
Adeus! prazeres vãos daqui, Esportes e alegrias mil, Pra mim não têm sabor. Felicidade, só na cruz, O resto, vi com meu Jesus, É lixo sem valor.
Seria uma grande omissão não observarmos que nossa ignorância sobre Cristo foi a principal causa de nossa falta de amor por ele. Agora compreendemos que conhecer a Cristo significa amá-lo. É impossível ter uma visão de sua face, contemplar sua pessoa ou entender sua missão, sem sentir nossas almas aquecidas por ele. Tal é a beleza de nosso bendito Senhor, que todo homem, exceto o espiritualmente cego, presta uma pronta homenagem a ele.
Não é preciso eloqüência para apresentar Cristo àqueles que o vêem pela fé, porque ele é seu próprio Orador. Sua glória fala, sua boa vontade fala, sua vida fala e, acima de tudo, sua morte fala. O que estes falam sem emitir sons o coração aceita com boa disposição.
Jesus "está oculto da visão do mundo em geral" pela incredulidade intencional da humanidade; sem isso, a visão dele teria causado profunda veneração. A humanidade desconhece a jazida de ouro escondida na mina de Jesus Cristo, do contrário certamente a explorariam dia e noite. Tampouco descobriram a pérola de grande valor, de outra forma teriam vendido tudo o que possuem para comprar o campo onde ela se encontra. A pessoa de Cristo cala toda eloqüência que quer descrevê-lo; as mãos do artista ficam paralisadas ao escolher as cores adequadas para pintá-lo; e o escultor não saberia por onde começar a talhar a imagem dele nem que fosse possível em uma pedra maciça de diamante. Nada existe na natureza comparável a ele. Diante de seu resplendor o brilho do sol escurece; sim, nada pode competir com ele, e o próprio céu enrubesce com a simplicidade do seu semblante, ao contemplar este "totalmente desejável". Ah, vocês que passam por ele sem considerá-lo, bem disse Rutherford: "Se o conhecêssemos e víssemos sua beleza, nosso amor, nosso coração, nossos desejos convergiriam nele. O amor, por natureza, lança sobre o objeto amado seu espírito e força, bem como tudo o que é bom e digno de amor; e o que existe mais belo do que Cristo?" O mundo judeu crucificou-o porque não reconheceram seu rei, e nós o rejeitamos porque não tínhamos visto que ele preenche nossos anseios nem acreditávamos no seu amor por nossas almas. Todos podemos proferir este monólogo de Agostinho: "Existia uma grande nuvem escura de vaidade diante dos meus olhos, de modo que eu não podia ver o sol da justiça e a luz da verdade; sendo filho das trevas, eu estava envolto em escuridão; eu amava as minhas trevas por que não conhecia a tua luz; eu era cego e amava minha cegueira, e andava de escuridão em escuridão; mas tu, Senhor és meu Deus, que me tiraste das trevas e da sombra da morte; tu me chamaste para essa gloriosa luz, e eis que agora vejo!"
III. Chegamos agora à parte prática desta meditação e consideraremos as emoções despertadas por dela.

Primeiro, vemos que a profunda tristeza penitente nos fica bem. Tal qual a lágrima é a melhor rega para o túmulo, e as cinzas são a coroa certa para a cabeça de luto, assim os sentimen tos de penitência são a maneira certa de lembrar uma conduta que abandonamos agora e repugnamos. Não conseguimos entender o cristianismo daqueles que são capazes de narrar a história de seu passado com satisfação. Já vimos pessoas recontarem seus crimes com tanto prazer quanto um velho soldado descreve suas faça nhas na guerra. Tais pessoas chegam a exagerar seu mal para tornar seus casos mais dignos de admiração, e a gloriar-se de seus pecados do passado como se fossem ornamentos de sua nova vida. Para estes, repetimos as palavras de Paulo aos romanos: "Agora vos envergonhais." Há ocasiões em que é próprio, bené fico e louvável que o convertido descreva a triste história de suavida anterior; assim a graça é glorificada e o poder divino exaltado, e a história de sua experiência pode servir para despertar fé em outras pessoas que se julgam abomináveis demais; é necessário, porém, que isto seja feito num espírito correto, que expresse um sincero arrependimento e pesar. Não objetamos a que se narre os feitos do estado anterior à regeneração mas, sim, o modo como isso geralmente ocorre. Se o pecado tem o seu monumen to, que seja num monte de pedras arremeçadas pelas mãos da excomunhão — não um mausoléu erigido por mãos de ternura. Vamos dar-lhe o enterro de Absalão — não permitindo que descanse no sepulcro real.

A libação de lágrimas não deve ser a única oferta no santuário de Jesus; vamos também exultar com alegria indlzível. Se temos de lamentar pelos pecados cometidos, quanto mais havemos de nos alegrar pelo seu perdão! Se o nosso estado anterior enche-nos os olhos de lágrimas, será que o novo estado em que nos encontramos não fará nossos corações pularem de alegria? Sim, precisamos e iremos louvar o Senhor pela sua graça soberana e incomparável. A nós cabe entoar-lhe um canto eterno pela mudança de nosso estado; ele nos deu discernimento, e fê-lo por mera e imerecida misericórdia, uma vez que, assim como outros, "dele não fizemos caso." Certamente Jesus não nos elegeu para a alta honra de sermos um com ele por causa de nosso amor por ele, pois de fato confessamos exatamente o oposto. Dizem que, ao perguntarem ao santificado antepassado deste escritor, o Dr.Rippon, por que Deus escolheu seu povo, ele respondeu: "Porque o escolheu", e quando repetiu-se a pergunta, ele novamente res pondeu: "Porque o escolheu, e se me perguntarem isso mais cem vezes, não poderei dar-lhes outra razão." "Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado." Que a nossa gratidão pela graça divina redunde em louvores; que todo o nosso ser entoe honras a ele, o qual nos elegeu de modo soberano, nos redimiu por sangue e nos chamou pela graça.

Não haveríamos também de prostrarmos profundamente o espírito com a lembrança da nossa culpa? O objeto da pre sente contemplação não deveria ser uma punhalada no coração do orgulho? Chegue mais perto, cristão, embora agora revestido da armadura da salvação, e veja como andava outrora nu. Não se gabe de suas riquezas, lembre-se de como era um simples mendigo; nem se glorie em suas virtudes, elas são estranhas ao seu coração; lembre-se das plantas mortíferas — a vegetação nativa da quele solo mau. Incline-se com o rosto no chão e, apesar de não poder ocultar-se sob as asas como os anjos, permita que o arrependimento e auto-repugnância cubram-no. Não pense que hu­mildade é fraqueza; ela prove o tutano que é a força dos ossos. Incline-se para vencer; prostre-se e torne-se invencível.

Se tivéssemos uma visão correta de nós mesmos, a ninguém julgaríamos vil demais para ser regenerado e não consideraríamos uma desonra carregar nos ombros o mais errante do rebanho. Entre nós há muito do espírito: "Espere-me passar, porque sou mais santo do que você." Aqueles que Jesus teria de agarrar pela mão nós não arrastaríamos nem com uma tenaz; tal o orgu lho de certos professores, que deveriam ser reconhecidos como legítimos sucessores dos antigos fariseus. Se fôssemos mais parecidos com Cristo, estaríamos mais prontos a ter esperança pelos desesperados, valorizar os indignos e amar os que estão atolados em pecado.
A seguinte história, que o autor ouviu de um estimado ministro da Igreja da Inglaterra, talvez possa, como um fato, ser mais eficaz que as palavras. Certo pastor de uma paróquia na Irlanda havia visitado todas as pessoas abrangidas por seu rebanho, exceto uma. Tratava-se de uma mulher com uma vida depravada; ele temia que o fato de entrar na casa dela desse motivo de ofensa aos maldizentes, trazendo desonra para o seu ofício. Num domingo, percebeu a mulher entre os presentes ao culto, e durante semanas notou como ela dava atenção à Palavra da Vida..Pensou, também, ouvir, entre o som das respostas, uma voz doce e sincera, confessando solenemente seu pecado e implorando misericórdia. Compadeceu-se daquela filha de Eva decaída; ele ansiavapor perguntar-lhe se de fato seu coração havia sido quebrantado e desejava intensamente falar-lhe sobre a graça abundante, na espe rança de que ela tivesse sido salva do fogo. Mesmo assim, a mesma atitude sensível o impediu de entrar na casa; vez após vez ele passou por sua porta com um olhar compassivo, ansioso pela salvação dela, porém zeloso de sua própria honra. Isso durou um bom tempo, mas um dia ela o chamou e, em prantos que revela vam um coração quebrantado, disse-lhe: "Ah, senhor! Se o seu Mestre tivesse estado nesta aldeia metade do tempo do senhor, ele já teria vindo falar comigo há muito, pois sou a pior das pecadoras e preciso mais do que ninguém da sua misericórdia." Podemos até imaginar o coração daquele pastor derretendo ao ver sua atitude ser condenada de modo tão cuidadoso na comparação com seu Mestre amoroso. A partir desse dia, ele decidiu não negligenciar ninguém, mas sim reunir todos os "marginalizados em Israel". Meditando nisso, que possamos, para nosso próprio proveito, ser constrangidos a fazer o mesmo, possibilitando que alguma alma tenha motivo para bendizer o nome de Deus porque os nossos pensamentos foram dirigidos para ela. Que o Espírito da graça, que prometeu nos "guiar a toda a verdade" por meio de sua santa influência, santifique para o nosso bem essa visita à casa onde nascemos, despertando em nós todas as emoções conveni entes e guiando-nos para ações compatíveis com este grato retrospecto.

FONTE E TRADUÇÂO:
Charleshaddonspurgeon.com

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Fábula das Ferramentas...

Contam que na carpintaria houve uma vez uma estranha assembléia. Foi uma reuniao de ferramentas para acertar suas diferenças.
Um martelo exerceu a presidência, mas os participantes lhe notificaram que teria que renunciar. A causa?
Fazia demasiado barulho; e além do mais, passava todo o tempo golpeando.
O martelo aceitou sua culpa, mas pediu que também fosse expulso o parafuso, dizendo que ele dava muitas voltas para conseguir algo.
Diante do ataque, o parafuso concordou mas, por sua vez, pediu a expulsao da lixa.
Dizia que ela era muito áspera no tratamento com os demais, entrando sempre em atritos.
A lixa acatou, com a condiçao de que se expulsasse o metro que sempre media os outros segundo a sua medida, como se fora o único perfeito.
Nesse momento entrou o carpinteiro, juntou o material e iniciou o seu trabalho.
Utilizou o martelo, a lixa, o metro e o parafuso.
Finalmente, a rústica madeira se converteu num fino móvel.
Quando a carpintaria ficou novamente só, a assembléia reativou a discussao.
Foi entao que o serrote tomou a palavra e disse: "Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o carpinteiro trabalha com nossas qualidades, com nossos pontos valiosos.
Assim, nao pensemos em nossos pontos fracos, e concentremo-nos em nossos pontos fortes".
A assembléia entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia e dava força, a lixa era especial para limar e afinar asperezas, e o metro era preciso e exato.
Sentiram-se entao como uma equipe capaz de produzir móveis de qualidade.
Sentiram alegria pela oportunidade de trabalhar juntos.
Ocorre o mesmo com os seres humanos.
Basta observar e comprovar.
Quando uma pessoa busca defeitos em outra, a situaçao torna-se tensa e negativa; ao contrário, quando se busca com sinceridade os pontos fortes dos outros, florescem as melhores conquistas humanas.
É fácil encontrar defeitos, qualquer um pode fazê-lo. Mas encontrar qualidades... isto é para os sábios!!!!

(Mariana Barcelos)

sábado, 16 de janeiro de 2010

Mantendo a ordem (Disciplina na igreja)


Pr. Orlando Gomes da Silva.

QUERIDOS IRMÃOS, se um cristão foi vencido por algum pecado, vocês que são de Deus devem ajudá-lo, com mansidão e humildade, a voltar ao caminho certo, lembrando-se que da próxima vez poderá ser um de vocês a cair no erro. Partilhem as dificuldades e problemas uns dos outros, obedecendo dessa forma à ordem do nosso Senhor (Gl 6:1-2 BV)
O presente estudo visa mostrar a amada igreja que tem por objetivo manter a ordem, a espiritualidade e a boa convivência entre os membros. Para tanto, é preciso que você e eu tenhamos conhecimento do que é disciplina, quem aplica a disciplina e como pode ser a disciplina. É importante também esclarecer que o presente estudo manter a ordem na igreja e  não fiscalizar a vida dos irmãos. Caso alguém se encontre em uma das situações mencionadas no estudo, desejo que você conserte sua vida com Deus e com a Igreja.  A igreja é chamada acima de tudo a guardar o nome e a gloria de Cristo.

O texto  que baseia como proceder com o irmão faltoso. Mateus 18. 15-20

15 Ora, se teu irmão pecar, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, terás ganho teu irmão; 16 mas se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra seja confirmada. 17 Se recusar ouvi-los, dize-o à igreja; e, se também recusar ouvir a igreja, considera-o como gentio e publicano. 18 Em verdade vos digo: Tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu; e tudo quanto desligardes na terra será desligado no céu. 19 Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. 20 Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.
O que é disciplina?

É o principal meio que Deus usa para corrigir e restaurar os seus filhos, quando caem em pecados. A disciplina eclesiástica é o processo de corrigir o pecado na vida da igreja e de seus membros. É a maneira de manter a ordem e a pureza, unidade e manter a boa reputação da igreja. A igreja que não usa disciplina em sua membresia não ama e não quer agradar a Deus. Se Deus repreende e disciplina seus filhos, a igreja como agencia do reino tem que agir conforme a escritura e manter a ordem  mesmo que isso seja doloroso à igreja. Existe igreja que aplica disciplina e por isso são tão corrompidas,  em nossos dias existe uma frouxidão muito grande nas igrejas, penso que provem do medo de perder membros. No livro do Apocalipse 3:14-22 Deus repreende a igreja de Laodicéia e hoje Ele faz a mesma repreensão a toda igreja que não vive a palavra de Deus. A igrejas locais devem ser, na terra, os lugares  em que as nações podem ir e achar seres humanos que refletem crescentemente a imagem de Deus. Por isso que devemos como igreja aplicar a disciplina, para que o mundo veja Cristo em nós.

Quem pode disciplina?

Quanto à aplicação da disciplina existem pessoas que são usadas por Deus para aplicar a primeira é o pastor e a segunda a assembleia da igreja. O pastor é a pessoa que responde diante de Deus e da sociedade pela igreja, logo ele tem toda autoridade para aplicar a disciplina, no entanto, dependendo da natureza do pecado, ou seja, se o pecado de um irmão escandalizar a comunidade quem deve aplicar a disciplina é a própria comunidade orientada pelo pastor, isto é, a igreja reunida em assembleia ou o conselho autorizado pela assembleia.

1. Disciplina pastoral. Quando a disciplina é aplicada pelo pastor a disciplina é pastoral. Esta modalidade de disciplina pode ser aplicada em forma de ensinamento através de pregações e estudos bíblicos (formativa), também quando determinado erro é detectado o pastor afasta o membro de algumas atividades da igreja ( corretiva) com a finalidade de instruir e cuidar da integridade moral do membro e da igreja.
Aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor. (1Tm. 5:20)

2. Disciplina eclesiástica. Quando a disciplina é aplicada pela assembleia da igreja. ( 15 Ora, se teu irmão pecar, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, terás ganho teu irmão; 16 mas se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra seja confirmada. 17 Se recusar ouvi-los, dize-o à igreja; e, se também recusar ouvir a igreja, considera-o como gentio e publicano. Mt 18:15-17). 

Os dois alvos da disciplina eclesiástica

1. Proteger e preservar a unidade, a integridade doutrinaria, a  pureza e a reputação da igreja e de seus membros. Os amados notam que quando alguém escandaliza na igreja, toda a igreja leva a fama? Geralmente se diz: - Os crentes da igreja tal vivem fazendo isto. Ou a igreja tal não tem diferença do mundo. Nenhum membro saudável da igreja gosta de ouvir tais declarações, palavras como estas ferem a nossa alma, nos entristecem. Por esta razão que devemos aplicar a disciplina na igreja. Uma das marcas de uma igreja saudável é a pratica da disciplina. Leiamos os textos de At. 20:29-31 e Hb.12;14-16
2. Identificar aqueles que começam pecados desta natureza, empregar varias medidas bíblicas para convoca-lo ao arrependimento. (Gl.6:1.Tg. 5:19-20)

Quais os tipos de disciplina?
Formativa é exercida pelo pastor de púlpito, onde ele ensina e exorta a igreja, a permanecer firme no propósito para o qual Deus a chamou. Toda pessoa precisa de correção.
Corretiva o pastor disciplina (caso seja líder é afastado do cargo) e acompanhado, quando é membro e participa de atividades tipo ministério de louvor e outros são afastados de suas atividades por um tempo determinado pelo pastor, conselho ou pela assembleia da igreja.
Cirúrgica é a eliminação do rol de membro da igreja. Muitas pessoas não conseguem viver de modo digno do evangelho e quando são chamadas a atenção não dão ouvidos, mesmo quando a igreja o disciplina. Quando isso ocorre a única forma de tratar é desligar do rol de membros observando o que Jesus recomenda em Mateus 18: 15-17.

Motivos que uma pessoa pode ser disciplinada na igreja.

1) Falhas menores, (Ef. 5:11 ) são atitudes como aspereza, impaciência,murmuração, reclamação, negativismo, irritabilidade, falar em ocasiões imprópria, egoísmo, etc. devemos corrigir e perdoar estas falhas( Pv. 10:12, 19:11, Fl 4:5, I Pe. 4:8 ).
2) Pecados que não podem ser confirmados, são aqueles que apenas um membro tem conhecimento, também são considerados não se pode provar. Insultos proferidos, quebra de um trato verbal sem testemunhas, agressão física ou furto sem provas, comportamento ilícito de um membro da igreja. Mt. 18:15-16, Pv. 25:8-10, Dt. 19:15
3) Ofensa de natureza pessoal. Mt: 18 15-17. São aquelas que acontecem entre dois membros da igreja onde um prejudica o outro ( insulto, calunia,abuso físico ou sexual, adultério, furto, vandalismo, etc.( I Co. 6:1-8).
4) Desobediência publica. II Ts. 3:14-15, Tg. 3:10-11. É descrita como comportamentos pecaminosos que causam danos a unidade, a integridade doutrinaria, a pureza ou a reputação da igreja como um todo. Exemplo: falso ensino, facções, contendas, fofocas, calunia contra a igreja ou aos seus lideres, insubordinação, imoralidade sexual, embriaguez, linguagem obscena,, divorcio ou novo casamento sem respaldo bíblico, etc.
5) Iniquidade intolerável. I Co. 5:1,2, 5-7, 11-13. São situações que são recorrente e não houve concerto de vida, então, só resta um procedimento adequado: a exclusão do rol de membros. E são três tipos
a) Transgressores impenitentes- aqueles que se recusam a reconhecer o seu pecado e a se arrependerem, o mesmo após repreensão bíblica e exortação por parte de toda igreja (Mt. 18:17).
b) Pessoas culpadas de ofensas gravíssimas – aquelas que cometem pecado gravíssimos que se não forem excluídas podem manchar a reputação da igreja e de Cristo ( Rm. 221-24, I Co.5:1,5,13).
c) Transgressões que são afamadas por iniquidades – cristãos professos que são conhecidos publicamente por pecados tais como: heresia, apostasia, divisões, imoralidade sexual, embriaguez, lascívia, etc. o estilo de vida desta pessoa não esta diferente dos descrentes, também são considerados falsos crentes. ( I Co.5:11-13, 6:9-10, Gl 5:19-21, Tt. 1:16, I Jo.1:5-6, 2:3-4, 3:6-10, II Jo. 9-11)
Igrejas locais devem ser, na terra, os lugares em que as nações podem ir e achar seres humanos que refletem crescentemente a imagem de Deus ( Jonthan Leeman).
Portanto queridos busquem a santidade para que não seja preciso usar nenhum tipo de disciplina.

Dados Biográficos
      FERREIRA. Ebenézer Soares. da igreja e do obreiro 12ª Edição 2002. JUERP
      ELLIFF. Jim e WINGERD. Daryl. Disciplina na Igreja. Editora fiel
      SAHIUM. Leonardo. Membros saudáveis, igreja unida- Revista Fé para hoje- Editora Fiel 2012.
      DEVER. Mark. O que é uma igreja saudável -9marcas- Editora Fiel- 2015.
      MUSSELMAM. Vinicius. Marcas de uma igreja Saudável. Editora  Cristã Evangélica. 2020)
      TheWord Bible- Softwere

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

OS CRISTÃOS SÃO GUARDADOS AGORA E GLORIFICADOS NA ETERNIDADE


"Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis com alegria, perante a sua glória, ao único Deus, Salvador nosso, por Jesus Cristo, nosso Senhor, seja glória e majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, agora, e por todo o sempre. Amém. " (Judas 24-25).
No início de sua epístola, no versículo 5, Judas escreveu sobre faltas e falhas cometidas por pessoas muitos séculos antes. Primei­ro foram os israelitas no Velho Testamento. Eles foram mantidos em escravidão no Egito. Lá, não tinham liberdade alguma e eram obrigados a fazer coisas quase impossíveis. Então Deus os libertou. Ele abriu um caminho para eles através do Mar Vermelho em terra seca. Eles atravessaram a salvo para o outro lado e então as águas retomaram o seu curso. Os egípcios, que os tinham tratado tão mal, afogaram-se todos. Que maravilhoso livramento para Moisés e o povo de Israel, os quais louvaram a Deus pelo milagre que Ele havia realizado.
Não é surpreendente o fato de que logo os israelitas tenham esquecido o maravilhoso milagre que Deus havia operado a favor deles no Mar Vermelho? Eles até mesmo quiseram voltar para o Egito, ontem tinham sofrido tanto! Criaram outros deuses e os adoraram. Muitos milhares de pessoas atravessaram o Mar Verme­lho. Deus cuidou delas quando vagaram pelo deserto durante 40 anos. Entretanto, por terem sido desobedientes, todos eles morre­ram antes de alcançar a terra prometida por Deus. Somente Calebe e Josué, dois homens de fé, chegaram a essa terra. Até Moisés e Aarão pecaram e não tiveram permissão para entrar na terra prometida.
Judas pensou sobre tudo isso, e então meditou a respeito de si próprio e dos outros crentes que conhecia. Tais reflexões devem tê-To deixado triste, porque todos os crentes são pecadores. Por que, então, ele estava feliz ao escrever estes versículos 24 e 25? Sentia--se feliz porque sabia que Deus levará aos céus com segurança todos os que Ele liberta da escravidão espiritual. Assim, Judas tinha que louvar a Deus e cantar: "Ora, aquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar...".
No versículo 6, Judas escreve sobre anjos. Não sabemos muito sobre anjos, mas acreditamos que são muito melhores e mais sublimes do que nós. Os anjos a respeito dos quais Judas fala, inclusive um chamado Lúcifer, são aqueles que caíram no pecado e foram expulsos do céu por Deus. Como podem os anjos cair e tornar-se perversos e impuros? A Palavra de Deus nos diz que isso realmente aconteceu. Será que o fato de pensarmos sobre os anjos que pecaram não nos faz temer que nós, também, podemos pecar da mesma forma? Sim, mas aqui está a verdade sobre à qual Judas está feliz — o Senhor Jesus nos guardará! Às vezes, podemos cair em pecado, porém Ele vem e nos levanta de novo. Ele nunca desamparará os que crêem nEle.
Judas não escreve a respeito de Adão nesta epístola, todavia eu gostaria de mencioná-lo. Deus fez Adão um homem perfeito. Ele era puro, bom e sem pecado. Tinha uma vida feliz e tranqüila no jardim do Éden, onde Deus o havia colocado. Deus lhe disse para não comer o fruto de uma árvore especial do jardim. Adão foi desobediente. Ele comeu o fruto e pecou contra Deus. Então, Deus o expulsou do jardim. E assim, Adão precisou trabalhar arduamen­te para produzir alimento, ou não teria nada para comer.
Devido Adão ter pecado, nós que descendemos dele também somos pecadores. Herdamos sua natureza; assim, como podemos esperar obedecer a Deus, posto que Adão fracassou? A única resposta é que o Senhor Jesus Cristo prometeu que, quando começar a operar em nossas vidas, Ele continuará até que tenha terminado a obra. Portanto, devemos louvar novamente com Judas: "Ora, aqueles que é poderoso para vos guardar de tropeçar...".
Mas havia algo mais na mente de Judas. Ele estava pensando a respeito do lugar onde pecadores e anjos foram lançados quando não foram guardados por Deus. Os israelitas incrédulos e desobe­dientes foram destruídos e também desceram às terríveis trevas do inferno. Devemos certificar-nos de que não somos incrédulos e desobedientes. Devemos estar sempre confiando em Deus, que nos salvou e prometeu guardar-nos.
Em seguida, no versículo 6, Judas escreve sobre anjos decaídos, que ele nos diz estarem em algemas e sob trevas. Eles serão mantidos lá até que Cristo venha para julgá-los e puni-los. Então, eles serão enviados ao inferno para sempre. Se o amor eterno de Deus não nos tivesse resgatado, nós também teríamos sido conde­nados ao sofrimento em algemas, trevas e fogo por causa de nosso pecado. Só temos segurança por meio dAquele que é capaz de nos guardar de tropeços.
No versículo 7, Judas nos fala sobre as cidades de Sodoma e Gomorra. O sol estava se pondo ao anoitecer. As pessoas estavam felizes. Elas estavam rindo e se divertindo. A terra era férti 1 e o povo tinha tudo o que queria. Mas as pessoas nas cidades eram muito perversas, e Deus resolveu destruí-las. Depois que Deus levou para fora Seu servo Ló com sua família, Ele destruiu as cidades com fogo e enxofre. Abraão podia ver a fumaça das cidades em chamas, ainda que habitasse muito longe. O Mar Morto agora cobre o lugar onde estava essas cidades. Nada pode viver naquele mar. Isto demonstra o juízo de Deus. E então, contra essas sombrias circuns­tâncias, Judas lembra novamente que assim como Deus guardou Ló da destruição, assim também guardará Seu próprio povo.
No versículo 13 da epístola, Judas escreve sobre os terríveis pecados daqueles que pareciam crer em Cristo, mas na realidade não criam. Eles são chamados apóstatas. Estremecemos ao pensar sobre o que acontece com tais pessoas. Elas não são capazes de se manter no caminho de Deus, porque não confiam realmente em Cristo, o único que pode salvá-las e guardá-las. Assim, quando pecam elas se tornam tremendas pecadoras, o que é algo pavoroso de se imaginar. Vocês devem ter certeza de que verdadeiramente crêem. Então, com Judas, continuarão confiando em Cristo, que é "poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis com alegria perante a sua glória."
Observemos as bênçãos de que Judas fala. Ele diz que o Senhor Jesus Cristo tem poder para fazer três coisas:
1. Antes de tudo, Ele tem poder para guardá-los de tropeços, enquanto vocês andam pelo perigoso caminho que vai da terra aos céus. Quando escalamos montanhas, há estreitos atalhos, às vezes com um íngreme precipício em um dos lados. Se déssemos um passo errado, poderíamos cair em um imenso abismo. O mesmo acontece com nossas vidas espirituais. O caminho muitas vezes é difícil e escorregadio. Seria muito fácil tropeçar se o Senhor Jesus não mantivesse nossos pés firmes no chão. Quando andamos com segurança, portanto, devemos dar toda a glória a Deus que está nos guardando.
Mesmo os verdadeiros crentes são muito fracos. Vocês não são capazes de viajar por si próprios. Vocês não são capazes de ver os perigos ocultos. Precisam que o Senhor Jesus cuide de vocês e evite que caiam. Além disso, vocês têm inimigos que se escondem ao lado da estrada, prontos para aparecer e derrubá-los. Somente o Senhor Jesus pode protegê-los dos inimigos que estão sempre esperando para destruí-los. Não deveríamos louvar "aquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar"?
Ainda que sejamos tão fracos, Ele nos levará ao céu. Este mundo em que vivemos não é nosso lar. Muitas vezes gostaríamos de deixá-lo, pois a vida aqui se torna muito difícil. Gostaríamos de ir para nosso lar celesl i al. O Senhor Jesus tem poder para nos levar lá! Ele lutará contra nossos inimigos para nós. Jesus nos guardará de cair no pecado, e levará todos aqueles pelos quais Ele morreu para a terra celestial. Ninguém será deixado para trás. Estaremos segu­ros e felizes com Ele para sempre. O Senhor Jesus nos apresentará a Deus e estaremos com aqueles que alcançaram o céu antes de nós.
2. Em seguida, devemos notar que quando formos apresentados a Deus, estaremos imaculados. Como poderemos nós, que somos pecadores, estar sem faltas? Ã única resposta é que nosso Salvador é muito poderoso e Sua obra é sempre perfeita. Por mais pecadores que vocês sejam, se Cristo, em Sua misericórdia e graça, opera em seus corações de forma que vocês acreditem nEle, Ele os lavará em Seu sangue; isto significa que Cristo oferece Sua morte como pagamento pelos seus pecados. Vocês podem ter sido bêbados, ladrões ou adúlteros; mas agora, tendo nascido de novo por causa do que Cristo fez, aos olhos de Deus vocês serão puros, limpos e cândidos.
Mas há algo mais. Não basta que um homem esteja sem faltas, sem pecados. Ele precisa ter boas qualidades também. Ele não chegará ao céu somente porque seu pecado foi perdoado. Ele deve também ser obediente aos mandamentos de Deus. Entretanto como não temos poder para guardar a lei de Deus perfeitamente, como podemos esperar que chegaremos ao céu? Apenas porque o Senhor Jesus Cristo viveu uma vida perfeita a nosso favor. Ele guardou a lei de Deus, e Deus em Sua grande misericórdia considera a obediência de Cristo com relação à Sua lei como se fosse nossa própria obediência. Ele a atribui a nós.
Assim, duas coisas aconteceram. Cristo morreu pelos nossos pecados para que pudéssemos ser perdoados; Cristo viveu uma vida perfeita, e agora Deus nos olha como se tivéssemos levado uma vida assim, e Ele nos aceita.
3. 0 melhor de tudo, porém, é o fato de que Deus nos tomará em novas pessoas. Por causa de Cristo, Deus nos aceita como inculpáveis e bons. Então, Ele também coloca em nossos corações o desejo de sermos santos e bons. Enquanto vocês viverem na terra, embora não queiram pecar, ainda assim a maldade estará em seus corações, tentando fazer com que cometam coisas pecaminosas que na verdade não querem. Em Romanos, capítulo 7, o apóstolo Paulo nos diz que quando quis fazer o bem, o mal estava presente nele, e ele fez o que detestava.
Um dia, todo o mal em vocês terá desaparecido para sempre. Isto só acontecerá quando estes corpos pecaminosos morrerem e esti­vermos com nosso Salvador no céu. Quando O virmos, seremos como Ele. Que alegria será para nós! Portanto, devemos dizer novamente com Judas: "Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar... glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos."
Quando chegarmos ao céu, entenderemos muito mais do que agora. Olharemos para trás e veremos todas as vezes nos quais fomos guardados de cair no pecado. Louvaremos o Senhor Jesus que nos guardou. Mas mesmo agora, nesta vida, devemos lembrar que Ele nos segura firmes, e não nos abandonará.
Em seguida, vejamos como o Senhor Jesus nos apresentará diante de Deus. Judas diz que será com muita exultação. Quem vocês acham que sentirá essa exultação? Todo cristão sincero e sentirá. Todos os que já leram a Bíblia cuidadosamente conhecem a Parábola do Filho Pródigo. Quem estava mais feliz na festa que o pai preparou para seu Filho que agora voltara para casa? O filho pródigo. Ele mal podia acreditar que seu pai ainda conseguia ama­do depois de ter sido tão ingrato e pecador.
O mesmo acontecerá conosco quando Deus, nosso Pai, nos trouxer para o lar que preparou para nós no céu. Olharemos para nossas vidas na terra. Pensaremos como fomos ingratos e como nos afastamos do Senhor Jesus Cristo. Então pensaremos como ainda assim Ele nos amou e por fim nos trouxe ao céu. O pecado, a tentação e o diabo, que sempre foram nossos inimigos, terão desaparecido, e seremos mais felizes do que jamais pensamos que poderíamos ser. Vocês deveriam estar muito felizes agora também, ao lembrarem que quando os problemas da vida acabarem, vocês serão felizes no céu eternamente.
O obreiro cristão também será feliz. Quando ele chegar ao céu será humilde, bem como exultante. Verá ali aqueles para quem ele havia falado a respeito do Senhor Jesus Cristo. Eles creram em Jesus e foram levados ao céu também. Os obreiros cristãos estarão cheios de júbilo e dirão: "Aqui estou eu e os filhos que me deste; a ti louvor".
Os anjos também terão grande alegria. A Bíblia diz que há júbilo no céu por todo pecador que se arrepende. Assim, como será imensa a alegria deles quando um número incalculável de pecado­res arrependidos, todos perfeitos e sem culpas, for trazido com segurança para o céu!
Pecadores, obreiros cristãos, anjos, todos terão muita alegria. Mas quem estará ainda mais exultante? O próprio Senhor Jesus Cristo estará mais feliz que todos. Todo o Seu povo chegou em casa a salvo. Com segurança, Cristo libertou de cada perigo todos os que Lhe foram dados por Seu Pai. O propósito de Deus foi cumprido e todo Seu povo eleito foi completamente salvo. Cada promessa feita por Deus Pai e por Deus Filho foi cumprida. Assim, naquele dia ninguém estará mais feliz do que o Senhor Jesus Cristo. Ele veio à terra para viver e morrer por nós, a fim de que nos céus pudéssemos ser Sua noiva. A Bíblia diz: "... como o noivo se alegra da noiva, assim se alegrará de ti o teu Deus" (Is. 62:5). Que dia de júbilo será aquele! Diz Isaías: "Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma, e ficará satisfeito".
Toda a Igreja estará no céu, reunida de toda as nações, sem mancha alguma e completa. Nenhum crente estará faltando. Os cristãos não estarão lá por causa de algo de bom dentro deles, mas devido à aliança feita entre Deus o Pai e o Senhor Jesus Cristo. Inúmeros pecadores serão salvos, guardados de tropeços e por fim trazidos à presença de Deus , porque essa aliança não pode ser rompida.
E então, finalmente, o próprio Deus terá infinito regozijo. Está escrito no livro de Sofonias, no Velho Testamento: "O Senhor teu Deus... se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo". Acho que esta é uma das mais maravilhosas passagens da Bíblia. Quando o mundo foi feito, as estrelas da manhã exultaram de alegria, mas Deus disse apenas que "era bom". Ele não Se regozijará até que todas as pessoas escolhi­das encontrem-se ao redor de Seu trono. Então, até Deus, o Pai Eterno, entoará uma esplêndida canção.
Há mais uma reflexão que eu gostaria de acrescentar. Tudo o que dissemos é verdade para todos dentre vocês que são crentes. Para todos vocês, é verdade que Ele os guardará de tropeços e os apresentará "com exultação, imaculados diante da sua glória". Então, vocês devem entoar juntos esta canção: "... ao único Deus, Salvador nosso, por Jesus Cristo, nosso Senhor, seja glória e majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, agora, e para todo o sempre. Amém."
Ao mesmo tempo, quando pensarem em sua segurança em Cristo, não esqueçam suas atuais fraquezas. Quero que saibam que por si próprios vocês não têm poder para obedecer a Deus por um só minuto. O poder gracioso de Deus por si só irá guardá-los. Cristo prometeu trazê-los com segurança para o céu, e Ele certamente fará isso. Vocês estão seguros nas mãos de Cristo. Nenhum inimigo de Deus pode arrancá-los de Cristo.
E quanto àqueles dentre vocês que ainda não sabem que foram salvos pela graça de Deus? Meu desejo é que vocês não confiem em si próprios ou em algum bem que acham que podem fazer, mas quero que confiem em Cristo. Vocês podem se arruinar e acabar indo ao inferno, porém não se podem salvar e ir ao céu. Somente Cristo pode salvá-los. Confiem suas vidas Àquele(que é poderoso para guardá-los de tropeços. Se vocês morrerem como estão, certamente perecerão. Só Cristo pode salvá-los. Somente Ele pode torná-los imaculados e levá-los ao céu. Ele é capaz de fazer isso por vocês. Cristo derramou Seu sangue na cruz a fim de abrir um caminho para vocês virem ao céu. Confiem no poder de Seu sangue e estarão salvos de seus pecados e impurezas. Levantem os olhos para Cristo com uma fé simples, para que possam chegar ao céu e cantar com todos os remidos do Senhor: "Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória, ao único Deus, Salvador nosso, por Jesus Cristo, nosso Senhor, seja glória e majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, agora, e para todo o sempre. Amém."
CH. SPURGEON